A mulher que ele admirava parece não mais nela residir
Evoluíram em si mesmos e perceberam que não podem ser mais do que amigos?
Não são mais abrigos um do outro?
Irão se abrigar em outros abraços? Em outros corpos?
Até quando habitarão seus corpos?
Os corpos sempre refletem o que as almas sentem?
Ela que sempre o apoiou em seus projetos, hoje temos a sensação que era mais para o afastar dela, do que realmente acreditava em seus sonhos. Será que estamos sendo injustos?
Os olhos dela hoje brilham menos ao vê-lo chegar, talvez brilhem mais ao vê-lo partir e ao avistar um outro homem mesmo que sua mente negue. O coração dela entrega, as ações nos certificam.
Veja só: o mundo sempre será machista! Pois o homem que sente de verdade a ausência de sua mulher é tachado de não ser homem até mesmo por uma mulher.
Quando ele partir, talvez ela o queira de volta, mas sabemos que ele irá pedir a ela o pedaço de sua alma que confiou a ela.
Se ele parte, provavelmente lembrará de tudo o que sofreu ao mendigar atenção e as vezes que fingiu não sentir nada e não mais vai querer aportar-se em porto algum. Já está cansado e velho para jogos amorosos.
Será como um velejador que navega sem rumo, nem prumo, só vivendo pelo simples prazer de velejar outros mares.
Será como um velejador que navega sem rumo, nem prumo, só vivendo pelo simples prazer de velejar outros mares.
E ela? Talvez também siga o mesmo caminho por um tempo. Até encontrar alguém e não cometer os mesmos descuidos e preconceitos que teve com ele. E ele? Continuará sendo o velejador e talvez se lembrará dela com a qual sempre sonhou mas que a vida com este amor, tudo desmoronou. O futuro é incerto. O futuro é uma névoa em alto mar.
E em um mundo volátil, com falsas redes sociais, e falsas facilidades, talvez nenhum porto ainda seja seguro para os outros ou para suas próprias existências.